Geografia a quatro mãos

Minhas mãos conhecem teu corpo de cor
E o meu corpo abandona-se, lânguido, a essas tuas mãos
A cada curva, minhas mãos deslizam seguindo a geografia do teu corpo
Qual rio serpenteante entre colinas, deslizo na praia da tua pele
O rio que, sedento, ansioso corre para se regozijar no mar
Mas a barragem da ternura refreia-lhe a anseia da foz
Barragem que, no entanto, não impede o rio de encontrar sua terceira margem...
Margem feita leito, suave como porcelana e quente como lava impetuosa e húmida
Lava ardente a que me rendo, e que me imortaliza qual Pompéia num instante de paixão
E descansa, a lava, tranquila como as cinzas de Roma incendiada
Tranquila, pois a lava sabe que me lava a alma...
E a minha alma sente-se beijada no mais profundo do meu É
Enquanto o vulcão adormece novamente no colo do monte de Vênus, após a explosão do êxtase
O rio recolhe-se aos poucos no conforto das margens carinhosas depois de ter fertilizado o seu delta
e, sábio, acaricia a mata pensando em como é ser igual sem nunca ser o mesmo
ao mesmo tempo que sente fervilhar em si a memória dos espasmos já passados

(c) Dulce Dias e Paulo Bicarato

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