domingo, 26 de setembro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Portugal continua a apostar nas energias verdes

Contra todos os Velhos do Restelo que só sabem criticar, Portugal até avança!

Enquanto não temos o TGV, temos pelo menos a energia eólica!

"Portugal ocupa o sexto lugar no ‘ranking’ europeu e o nono no mundial de potência instalada de energia eólica, com 3.535 megawatts (MW), anunciou hoje a Associação Europeia da Energia Eólica.

A Alemanha e a Espanha lideram na potência instalada europeia, com 25.104 e 19.149 MW, de acordo com os dados da Associação Europeia da Energia Eólica, referentes a 2009.

A nível mundial, os 3.535 MW de potência cumulativa portuguesa representam 2,2% do total, numa tabela liderada pelos EUA com 22,3% (35.159 MW), seguindo-se a China com 16,3% (25.777 MW).

Note-se que os dez maiores detêm 86,5% da potência cumulativa, num total de 136.508 MW.

Entre 2008 e 2009, Portugal reforçou a sua potência em 673 MW (1,8%), ficando em último lugar na lista dos 10 que mais investiram na produção de energia eólica."


In Económico

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Google wave

Olá amigos,

Agora é a minha vez de oferecer convites GoogleWave...
Sinceramente, para já, não é lá muito "funny" porque como quase ninguém tem, não tenho com quem comunicar... Por isso, quantos mais formos, melhor.

Quem estiver interessado, avise: dulced@gmail.com.


Tenho 16 convites disponiveis e o Google não garante que sejam enviados imediatamente...

domingo, 22 de novembro de 2009

Jorge Ferreira deixou de Tomar Partido


Jorge Ferreira era um ciberamigo. Conheci-o, há alguns anos, já não sei por que meandros da internet...

O antigo líder parlamentar do CDS-PP conquistou-me com os seus escritos, que todas as semanas gentilmente me enviava por email. Eram as crónicas que escrevia regularmente no Diário de Aveiro e, se bem me lembro, na altura, também no Semanário.

Depois, passei a lê-lo no Tomar Partido. Atento, lúcido, crítico e com sentido de humor, permitia-me manter com Portugal um contacto que os jornais "oficiais" nem sempre permitem. Ver Portugal pelo olhos de Jorge Ferreira no Tomar Partido era, para mim, uma lufada de ar fresco.

Faleceu este sábado. Que descanse em paz.

domingo, 15 de novembro de 2009

Os 10 anos do PaCS - ou o casamento "light" francês

Comummente, chamam-lhe PaCS. O nome completo é Pacto Civil de Solidariedade - ou Pacte Civil de Solidarité - e comemora hoje 10 anos de existência.

E perguntam-se os meus leitores: "Mas, ela está a falar de quê?"

Pois, bem esta é (mais) uma das "excepções francesas". Trata-se, grosso modo, de algo semelhante à "união de facto" portuguesa.

Mas digo "grosso modo", porque, na realidade, o PaCS (lê-se PAX) assina-se. Como quem assina um contrato de casamento.

Faz-se no Tribunal, sem testemunhas, e confere ao casal "pacsado" quase os mesmos deveres e direitos do casamento e tem efeitos imediatos (a partir do dia em que foi assinado). Ao contrário da "união de facto" portuguesa, que precisa de um certo número de anos de vida em comum para ser reconhecido.

Em termos de direitos e deveres, fica aqui o essencial:

- Os dois membros do PaCS devem assistência mútua. Só por curiosidade, a fidelidade não vem mencionada ;-)
- Podem passar a fazer uma declaração única de IRS;
- Tal como no casamento, o PaCS tem três regimes de bens:
a) Comunhão total de bens
b) Comunhão de bens adquiridos
c) Separação total de bens
- Não pagam direitos de sucessão, em caso de morte de um dos membros do casal;
- Ainda em caso de morte, o sobrevivente tem direito a continuar a viver na residência familiar durante um ano.

No entanto, contrariamente aos casais casados, não têm direito à pensão de sobrevivência. Pelo menos, por enquanto. Algumas vozes começam a fazer-se ouvir, no sentido de incluir também essa vantagem no PaCS. E, tendo em conta que o dito Pacto já foi modificado várias vezes, ao longo dos seus 10 anos de existência, tudo indica que para aí caminhará.

A grande diferença prática em relação ao casamento, é que, no matrimónio, e independentemente de quem seja o proprietário da "residência familiar", esta não pode ser vendida por nenhum dos cônjuges sem o acordo do outro. No caso do PaCS, essa decisão é contractual: no momento de assinar o Pacto, os dois membros do casal decidem se querem ou não que a "residência familiar" possa ser vendida unilateralmente.

Então, perguntam vocês, qual é a vantagem do PaCS em relação ao casamento?

É que, se as coisas derem para o torto, o PaCS dissolve-se unilateralmente, com efeitos imediatos e sem advogados nem chatices. Basta um dos membros do casal pacsado ir ao tribunal e dizer "eu não quero continuar pacsado com a pessoa com quem estou". E pronto, assina o papelito, e já está!

Além disso, o PaCS está aberto aos casais homossexuais - embora, actualmente, apenas uma pequena percentagem (6%) dos PaCS contraídos seja entre homossexuais. O que significa que a versão francesa "light" do casamento tem vindo a conquistar cada vez mais casais heterossexuais.

O interesse suscitado pelo PaCS não pára de aumentar. Em 1999, ano em que entrou em vigor, foram celebrados 6151 PaCS; no ano passado, foram contraídos 140 mil Pactos. Só para terem uma ideia, o PaCS representa um terço das uniões (um PaCS para cada dois casamentos).

Para os curiosos, está tudo explicado aqui.

domingo, 25 de outubro de 2009

Índia, "here I go"

Olá amigos,

Vou de férias!

Quase três semaninhas na Índia vão saber-me muito bem...

Dois circuitos em dois comboios de luxo.

O Palace on Wheels


e o Deccan Odyssey...


Mais pormenores aqui

Regresso ao trabalho a 16 de Novembro.

Até lá... portem-se bem!

domingo, 18 de outubro de 2009

O 'caso' Maitê Proença

Aqui de terras de França, tenho seguido com particular atenção os inúmeros emails que me têm chegado com o link para o vídeo da Maitê Proença.

(Recuso-me a incorporar o vídeo no meu blog mas, caso ainda haja alguém no mundo lusófono que o não tenha visto, deixo-vos o endereço: http://www.youtube.com/watch?v=1GCAnuZD7bk - copiem, que eu não quero sequer mandar o link directo a partir do meu blog.)

Fiquei desiludida, pois era uma das minhas actrizes brasileiras preferidas! É pena que a M.P. venha perpetuar o mito da brasileira boazuda mas burra! (E quanto ao boazuda, isso era há uns vinte anos - que agora, coitada, com todo o dinheiro que deve ter ganho com as novelas que os portugueses têm visto, bem que podia pagar um lifting, que aquelas rugas à volta dos lábios não são nada estéticas.)

Mas vamos ao que interesse: a falta de interesse do documentário feito pela piquena. Eu, que ciberconheço inúmeros brasileiros que muito prezo, até me admiro que o GNT passe uma peça destas. Será que há brasileiros que tenham apreciado a peça da senhora?! Dúvido.

Eu cá, quando estive no Brasil, não me passou pela cabeça filmar nenhuma peça sobre os miúdos esfomeados, e apesar de tudo, de olhar sorridente, que me pediam esferográficas e lápis ou tentavam vender umas pulseirinhas feitas de sementes, enquanto um matulão - supostamente, o "tio" - vigiava o negócio de olho atento, a 20 metros de distância.

Também não me passou pela cabeça filmar as dezenas de letreiros e reclames cheios de erros de Português. Ou as teias de aranha do complexo turístico onde estava, que era suposto ser de bom nível.

Ah... ou ainda o empregado do complexo que aceitou uma marcação para massagens e que na hora indicada deixou os clientes à espera e depois nos disse que não lhe tinha apetecido vir trabalhar naquela manhã.

Sem falar daquele casamento que vi em Arraial da Ajuda, com as boazudas muito bem vestidas e aperaltadas - e de chinelos do dedo, como se saíssem da praia. (Como se ainda não houvesse indústria do calçado!)

Claro que também não fiz nenhum documentário sobre as praias dos ricos, onde os pobres não têm acesso. Nem sobre as barracas sem reboco mas com a parabólica em cima do telhado. Ou as ruas esburacadas e poeirentas - como se ainda não tivessem descoberto que o alcatrão existe.

Dos monumentos, não posso falar. Porque entre Arraial da Ajuda e Porto Seguro, o máximo que vi foi um terreno vazio com uma cruz, onde supostamente os portugueses acostaram pela primeira vez...!!!!

Não, de facto, não fiz nenhum documentário sobre nada destas coisas. Mesmo sabendo que, aos olhos de certos europeus, o Brasil é aquele grande país subdesenvolvido. E que "brasileira" é sinónimo de travesti ou transexual.

Mas não fiz porque, num país imenso como o Brasil, sei que há milhões de quilómetros quadrados de cultura, de monumentos, de vida a descobrir. Que nem todos os brasileiros se estão nas tintas para deixar os clientes à espera de um serviço. Que certamente também há hotéis onde o pessoal - incluindo o porteiro - só pelo prazer de ajudar, se disponibiliza para tentar resolver os problemas aos quais o hotel é alheio. Que não se julga as pessoas pelos chinelos que calçam. E que não se critica a pobreza de um povo.

Mas, sobretudo, não o fiz porque tenho respeito por todos os povos, por todas as pessoas, por todas as culturas. E que tenho boa educação suficiente para não criticar os hóspedes que me recebem - seja na casa ao lado, seja num qualquer país dos antípodas.

Mas, só para terminar, deixem-me dizer-vos que a culpa de a Maitê Proença fazer este tipo de peça é nossa. Se os portugueses não tivessem ido ao Brasil, mostrar aos índios da Amazónia e zonas limítrofes que um outro mundo existia, eles ainda não teriam sequer descoberto a televisão!

sábado, 29 de agosto de 2009

Shocking, very shocking

Excelente vídeo de prevenção rodoviária - País de Gales
Realizador: Peter Watkins-Hughes



Os perigos do telemóvel ao volante!
Olhos sensíveis - abstenham-se...

Le harcèlement de CanalSat / O assédio de CanalSat

Não é só em Portugal que estas coisas acontecem... em França, algumas empresas também gostam de cobrar mais do que deviam - e de continuar a cobrar mesmo quando já demos baixa da assinatura.

Aqui vai um extracto da queixa que acabei de apresentar no site da "Direction générale de la concurrence, de la consommation et de la répression des fraudes", que pertence ao Ministério francês da Economia. Deixei a mesma queixa em mais dois sites de associações de consumidores!

Como dizem os franceses: "Ras le bol!", ou seja, "Estou farta!"




=

HARCELEMENT


Parce qu'il faut dénoncer ce genre de choses, voici la copie de la plainte déposée au près de la Direction générale de la concurrence, de la consommation et de la répression des fraudes et de plusieurs associations de consommateurs :

"En avril 2008 j'ai voulu résilié mon contrat CanalSat.

J'ai contacté l'entreprise par téléphone, un conseiller m'a dit qu'il suffisait de faire une simple lettre mais que que la résiliation n'interviendrait qu'à l'anniversaire du contrat.

Le 19 avril 2008 j'ai fait la lettre et j'ai donc attendu l'anniversaire du contrat, septembre 2008.

Or, le mois d'octobre 2008 mon compte a encore été débité d'une mensualité CanalSat.
J'ai donc décidé de faire opposition au près de ma banque, empêchant ainsi des nouveau prélèvements de a part de CanalSat.

J'ai aussi appelé CanalSat, qui a confirmé la résiliation de mon compte, a admit que le prélèvement de mon compte fut une erreur et m'a envoyé un cheque de 34,90€ de remboursement de la mensualité indûment prélevée.

Depuis, pendant trois ou quatre mois, CanalSalt a continué d'essayer de débiter mon compte, m'a envoyé des courriers pour me signaler que le compte n'avait pas pu être débité, et les conseillers m'ont appelé pour me dire que je leur devais des mensualités.

A chaque fois, je leur ai rappelé et ma lettre de résiliation et même leur chèque de remboursement.

Les conseillers finissaient par me présenter leurs excuses, en disant qu'ils allaient bien noter dans le système que j'avais déjà résilié mon abonnement.

Maintenant, en plein mois d'août 2009, je viens de recevoir une lettre de "intrum justitia", une société d'avocats à laquelle CanalSat a fait appel, qui m'exige le payement de 104,7€ - l'équivalent de trois mois d'abonnement - plus 8€ de frais d'actes. En plus, je suis menacée de frais de justice importants si je ne régularise pas la dette.

Ce qu'au début j'ai pris par un petit disfonctionnement de CanalSat assume, aujourd'hui, des contours de harcèlement.

En parlant au tour de moi, j'ai entendu des plaintes similaires d'autres personnes, envers CanalSat."


sábado, 22 de agosto de 2009

"O atraso histórico" do Portugal do Sr. Henrique Raposo

Henrique Raposo, no Expresso, escreveu: "Nós rejeitamos os emigrantes porque eles nos fazem lembrar aquilo que queríamos esquecer: o atraso histórico de Portugal." Estou perfeitamente de acordo com ele!

Mas apenas nesta frase! É que Portugal continua, HOJE, um país atrasado. Não são os emigrantes que têm " modos 'rurais'". É Portugal que tem continua a ter modos rurais. Mesquinhos. Invejosos. Intriguistas. Fanfarrôes.

É o Portugal do Sr. Henrique Raposo que me incomoda. O Portugal que ficou parado em 1979. - Já agora porquê 1979, Sr. Henrique Raposo?? A maioria dos emigrantes que parecem incomodá-lo saiu de Portugal antes de 1979, aliás, antes mesmo de 1974... Mas você, douto conhecedor, parece ter esquecido o grande êxodo da década de 60 do século passado...

O Sr. Henrique Raposo fala das "fanfarronas bombas de matrícula amarela" nas quais os emigrantes supostamente regressam à Pátria. E eu a pensar que os aviões da TAP eram brancos! E eu a recordar uma data de gente - talvez como o Sr. Henrique Raposo - que, em Portugal, quase não tem um "tosto" para mandar cantar um cego, mas investe tudo na "bomba" último modelo, com todos os acessórios - de preferência alemã, que é segura! Sim, que isto de comprar "um carro que ande" não é para Português que se preze. Português que se preze continua a comprar, em prestações infindáveis, um carro que custa mais do que o salário de todo um ano de trabalho e que consome mais em combustível por semana do que a factura do supermercado do mês inteiro.

O parque automóvel da "Europa rica" de hoje, Sr. Henrique Raposo, tem menos "fanfarronas bombas" do que as que existem no Portugal pobre. Ou já se esqueceu, o Sr. Henrique Raposo, que ainda há bem pouco temo, o vale do Ave era a região da Europa com o maior número de Ferraris por metro quadrado?

Num país como a França (sexta economia mundial, se não me engano...), por exemplo, a quantidade de carros em circulação com mais de dez anos é certamente muito superior à que se vê em Portugal. Não, não tenho dados concretos sobre o que digo - mas tenho olhos, que parecem ver melhor do que os do Sr. Henrique Raposo.

Os carros são apenas um dos inúmeros exemplos deste Portugal que vive da imagem: "O meu carro é maior do que o do meu vizinho"; "A minha televisão é em 16/9" (mesmo se depois - como não ninguém sabe utilizar os bons formatos - a bola de futebol acaba por parecer um balão de rugby!); "O meu iPhone, comprei-o assim que saiu" (a prestações, claro...!). Aliás, sintomático deste parecer ser em que Portugal vive é o próprio discurso do Sr. Henrique Raposo: "Os modos 'rurais' do emigrante recordam-nos que as marcas da modernidade só chegaram a Portugal na geração dos meus pais." Pois, Sr. Henrique Raposo, as marcas chegaram a Portugal, mas a modernidade nem por isso! Ter um iPhone pode parecer uma marca de modernidade. Mas a verdadeira modernidade é saber abrir-se aos outros. E não há iPhone que o faça!

Quando os colunistas da praça lusa, como o Sr. Henrique Raposo, continuam a escrever, em 2009, que "nos subúrbios de Paris, eles [os emigrantes] congelaram os 'Portugais' do antigamente, e, em Agosto, trazem esses 'Portugais' nas geleiras, entre minis e bifanas" temos a prova provada de que a abertura de Portugal ao mundo continua por fazer.

Sr. Henrique Rapsoso, quantos dos cerca de 5.000.000 - eu escrevo por extenso e em maíusculas, para perceber bem: CINCO MILHÕES - de emigrantes espalhados pelo mundo é que o Sr. conhece? Quantos empresários portugueses na "Europa rica" conhece o Sr.? Quantos professores? Quantos médicos? Quantos cientistas? Quantos académicos? Acha mesmo que regressam todos a Portugal em Agosto, nas " fanfarronas bombas de matrícula amarela", com o "garrafão" e as "minis e bifanas" na geleira, enquanto a cassete fanhosa continua a vomitar os dramas dos emigrantes de Graciano Saga?!

Realmente, Agosto em Portugal é um mês que incomoda. É o mês em que muitos daqueles que tiveram coragem para partir à conquista do mundo, daqueles que souberam abrir-se aos outros e à modernidade, que evoluíram, que viram coisas diferentes e podem fazer comparações, chegam a Portugal e dizem para si próprios: "A sofisticação académica e cultural" afinal, ainda não chegou a Portugal.

sábado, 11 de julho de 2009

E agora párem de nos perguntar porque é que demorámos tanto tempo...

Porque é que as mulheres demoram tanto tempo quando vão à casa-de-banho?

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa-de-banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa-de-banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.

Finalmente instruía-te: "Nunca, nunca te sentes numa casa-de-banho pública!"
E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.

Quando *TENS* que ir a uma casa-de-banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de “'tou aqui 'tou-me a mijar!”.

Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguenta mais” (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.

Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa… Penduras a mala no gancho que há na porta… QUAAAAAL? Nunca há gancho!! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de…

Mas, voltando à porta… como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te “na posição”…

AAAAHHHHHH… finalmente, que alívio… mas é aí que as tuas coxas começam a tremer… porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *“Nunca te sentes numa sanita pública”*, e então ficas na “posição de aguiazinha”, com as pernas a tremer… e por uma falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!! Com sorte não molhas os sapatos… é que adoptar “a posição” requer uma grande concentração e perícia.

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio! Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel… mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta... Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas "OCUPAAAAAADOOOOOOOOO"!!

E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão.
Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu “Alguém tem um pedacinho de papel a mais?” Parva! Idiota!

Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim… porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, "tu não sabes que doenças podes apanhar ali", que "até podes ficar grávida" (lembram-se??)…. Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!

Depois lá vais para o lavatório. Está tudo cheio de água (ou xixi? lembras-te do lenço de papel…), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.

Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças – porque não vais gastar um lenço de papel para isso – e sais…

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa-de-banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.
“Mas por que é que demoraste tanto?” - pergunta-te o idiota.
“Havia uma fila enorme” - limitas-te a dizer.

E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa-de-banho, por solidariedade: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter “a posição” e *a dignidade*.

Obrigada a todas por me terem acompanhado alguma vez à casa-de-banho e servir de cabide ou de agarra-portas!

(Mostra isto aos desgraçados dos homens que sempre perguntam “Querida, por que motivo demoraste tanto tempo na casa-de-banho?” IDIOTAS!)

Texto recebido por email - autora desconhecida (sim, obviamente que este texto foi escrito por uma mulher!!)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A tua vida dava um filme?

A Olinda, minha amiga de looooooooooooonga data, e bloguista recente, lançou-me um desafio cinéfilo.



O desafio é simples, consiste em escolher 5 situações da vida para passar em câmara lenta. Cinco momentos da vossa vida que vos tenham marcado...

Basta escrevê-las no próprio blog. Nâo há prémios, não acredito que Hollywood venha comprar-nos o guião, mas partilhamos um pouco mais de nós próprios com os nossos leitores.

Depois, é só passar o desafio a mais 12 blogs (e informá-los, obviamente!).

Ora bem, cá vão os meus cinco momentos:
(A Olinda escolheu uma "banda sonora" - eu prefiro fotografias, "pescadas" na net, é verdade, e a cujos autores desde já agradeço...)

1) Uma tarde de domingo, quando eu tinha 3 ou 4 anos, com os meus pais, nos jardins de Belém, em Lisboa


(Na altura, ainda não havia Centro Cultural de Belém - mas não faz mal..)


2) Um fim de tarde de Verão, na Fazenda do Trapo, em Pégões Velhos, tinha eu seis ou sete anos, e metia os pés nos regos da água que corria para regar as laranjeiras, por trás da casa dos meus avós.




3) Um rally paper em todo-o-terreno pelo Alqueva, no Alentejo, antes de a barragem estar terminada, nos idos de 1998, com o Nuno, meu companheiro de então




4) O momento em que vi o Yves pela primeira vez, já lá vão quase 5 anos, à porta do meu prédio, em Lyon, com uma t-shirt preta e verde e um sorriso...




5) E todos os momentos passados com os meus amigos... Sem data nem local especial. Já que todos os momentos passados com os meus amigos são especiais.

E cá vão os 12 blogs comtemplados com o desafio:

* Caligrafias iberes
* Alfarrábio
* Fábulas
* Pedaços d'Alma
* Rotativas
* Intro.vertido
* Ailaife blog
* Apenas Maria
* O escrevinhador diário
* Sorumbático Longos
* Obscenum
* Bupkis