Ainda o aborto

A Dunyazade, no seu Escrita, escreveu um texto fabuloso em defesa da despenalização do aborto, onde desmonta, com realismo e crueza, uma boa parte dos argumentos do "não".

Sem copiar todo o post, permitam-me estas transcrições:

"(...) Vocês imaginam uma mãe que aceitasse estar nove meses grávida e depois desse esse filho por não ter dinheiro para criá-lo?
Imaginem isto implantado à larga escala.
As vossas mães a carregarem os vossos irmãos no ventre e depois vocês nunca mais os verem; as vossas mulheres a fazerem o mesmo; as vossas irmãs, as vossas cunhadas. Milhares e milhares de bebés dados todos os anos para adopção. E toda a gente sabe que a vida no orfanato é maravilhosa, não sabe? Com sorte até podia calhar na Casa Pia!
Mães deste Portugal a carregarem filhos que nunca mais iam ver."


"E um dia, quando o "azar" bater à porta desta malta, espero que as respectivas filhas ou irmãs façam o mesmo.
- Ó pai, vê lá, se tu tivesses votado...
"

No campo oposto, o Blogue do Não - que lança, oficialmente, no próximo dia 23, no Hotel Tivoli, em Lisboa, o livro Blogue do Não - Aborto: Dez semanas de argumentos - conta com 25 colaboradores, que defendem o seu ponto de vista.

E, também aqui, transcrevo uma parte de um post:

"(...) João César das Neves afirmou (...) que, se o aborto for despenalizado, passará a ser algo 'tão normal como um telemóvel'.
João César das Neves falava durante uma conferência de imprensa com o tema 'a liberalização do aborto e aumento do número de abortos', a menos de um mês da realização do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas. No encontro com a comunicação social, o economista apresentou dados europeus (Eurostat) sobre o crescimento do número de abortos após a sua liberalização em países europeus, Estados Unidos e Canadá. De acordo com estes dados, citados pelo economista, a liberalização conduziu a 'um aumento generalizado do número de abortos'. As taxas de crescimento do aborto nos primeiros anos após a liberalização quase triplicaram, disse João César das Neves, acrescentando que 'esse crescimento manteve-se até à actualidade, embora a um ritmo mais brando'."


Pqueno comentário meu: Quando os actos deixam de ser clandestinos, passa a haver dados oficiais sobre eles. É por isso que se registou, nesses países, "o crescimento do número de abortos".

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