Discordo

Chegou a primeira resposta ao meu texto sobre O acesso à profissão de jornalistas. Com a devida autorização do autor, passo a publogá-lo:

Discordo

...talvez por ser licenciado em Sociologia - embora tenha feito uma dissertação sobre a imprensa espcializada e o professor Paquete de Oliveira tenha lamentado o facto de ter sido o jornalista e não o sociologo a escrever a mini-tese em questão.

Dulce, li o teu desabafo sobre o jeitinho para escrever. Compreendo o teu ponto de vista e concordo com o facto que o domínio de técnicas jornalísticas é essencial para a realização de um bom trabalho. Contudo não chega. Não basta saber escrever ou ter uma excelente colocação de voz para transmitir correctamente uma mensagem informativa clara. Da mesma forma que um licenciado em comunicação social se pode tornar um bom jornalista de economia porque teve de estudar os conceitos e a linguagem económica, um licenciado em economia pode aprender as técnicas jornalísticas para transmitir a sua mensagem. Chegado aqui podes colocar-me a questão da validade do diploma para o exercício de determinadas funções. Medicina, magistratura, etc... Percebo o ponto de vista. Todavia, sendo certo que têm de existir regras claras e diplomas específicos para o exercício de determinadas profissões, outras há onde a permissividade é, e deverá ser, total. Exemplo. O presidente, dono, gestor da Air Luxor não é licenciado em gestão. E médico. Nem sequer é piloto. Certo, na familia Mirpuri há um irmão piloto, outro economista. Mas que se juntaram ao negócio somente depois do irmão médico ter criado uma base de desenvolvimento sustentado para a empresa. Outro exemplo, a Aeropress, onde trabalhei, foi fundada por um jornalista. Actualmente, a empresa edita um jornal de aviação, organiza uma feira de aviação bienal em Evora, é o gabinete de imprensa da Airbus para Portugal e Palop, etc. O director, em tempos jornalista, é actualmente um empresário, comercial, alguém que tem de pensar diariamente na forma de pagar os três salários que tem a cargo e os restantes encargos. Outro exemplo, as pessoas com quem mais aprendi sobre o jornalismo não eram licenciadas em comunicação social.

Não sou contra a pertinência dos cursos de comunicação social, mas creio honestamente que seria um erro restringir o acesso à profissão aos detentores do diploma. Porque o jornalismo é uma profissão muito especial, deverá por isso mesmo permanecer aberta. O que não quer dizer que se deva negligenciar quem estuda jornalismo. O ideal, do meu ponto de vista, será juntar os detentores das técnicas e os detentores dos conteúdos. E que, tens exemplos disso na Euronews em todas as linguas, há jornalistas que escrevem correctamente, têm uma execelente colocação de voz, mas só dizem baboseiras porque não sabem, não compreendem, desconhem completamente a matéria sobre a qual estão a escrever.

Ah, nada como uma boa discussão pela manhã para começar o dia. Como vês, eu bem me esforço para estudar estratégias empresariais, marketing e coisas que tais, mas no fundo, no fundo, sou jornalista. Acima de tudo acho que é um estado de espirito.

(c) João Peseiro


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