Os pides do meu espaço

Por muito que os números possam indicar o contrário, o espaço e o tempo não se medem em metros nem em horas. Ficam aquém, e simultaneamente além, de hectares e de séculos.

São mesmo relativos – já Einstein no-lo disse. Tão relativos e tão subjectivos que dificilmente o mesmo conceito de espaço e de tempo coincidem em duas pessoas simultaneamente.

É uma questão de sentir. É uma forma de sensibilidade. Que difere de pessoa para pessoas.

Para mim, o espaço é uma folha branca de gente em meu redor no tempo que me apetecer. É passear sem tempo e sem stresse por uma Lisboa repleta de desconhecidos com hora marcada. É mudar de rumo, trocar as voltas, partir para Marte e não ter relógio. É gastar todo um fim de semana a olhar a única papoula existente num campo de trigo. É não ter horas para fechara a porta ou abrir a janela. É poder dormir ao Sol numa tarde de Inverno até que o próximo Solestício me acorde. É uma mansarda virada ao Tejo, tão velha que até as clepsidras lhe perderam a conta à idade.
Espaço são, também, todos aqueles momentos em que estou só comigo e me sinto bem.

Tempo... Bem, quanto ao tempo, é aquela sensação de 25 de Abril que se evade por cada um dos meus poros e continua a incomodar os inúmeros pides do meu espaço.

(c) Dulce Dias - 1998-03-16

PS: Para quem não sabe, o "25 de Abril" foi a revolução que, em 1974, restituiu a liberdade e a democracia a Portugal, depois de 48 anos do chamado "Estado Novo". E a PIDE era a polícia política do Estado Novo.

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