Escolhas e escolhos da vida

Olá caros leitores,

Não prometo que seja um regresso definitivo... mas foi uma vontade iniludível de partilhar convosco um velho texto ainda e sempre actual...

Dada a proximidade do Natal, aproveito para vos desejar desde já as Boas Festas.

Bom Natal


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Escolhas e escolhos da vida


Ai esta sensação fria de ser sempre diferente. Esta vontade de ser e de não ser, de estar e de não estar. E os outros que não percebem. A sensação de ser uma perda de tempo... De falar para as paredes, de discursar em vão. A minha linguagem não encontra eco neste mundo. Nasci antes do tempo e fora do espaço... E se o espaço é mutável (aliás, e se eu sou mutável no espaço), o mesmo não posso dizer quanto ao tempo.

Funciono a mil à hora. E poucos, muito poucos, são aqueles que podem acompanhar-me. Daí esta sensação fria de seguir só, um caminho, sem destino certo, feito de opções a cada cruzamento da vida...

Sou assim. Já me habituei. Mas dói sempre. Em cada encontro e em cada desencontro dói mais. A ponto de já ter medo dos encontros por pânico dos desencontros.

Sou pedra preciosa a quem chamam calhau - porque os olhos do corpo não chegam para ver o essencial.

Sou eu. És tu. E tu. E tu. Uma multiplicidade de gentes e eu perdida e só.

Sonhos sempre desfeitos em pedaços - por culpa minha. Ou por escolha minha. Mas por mim - isso é certo. Nada a ver com os outros.

O que não sai do coração...Interrogo-me ainda e sempre se teria podido ser diferente. Se eu não tivesse vindo ou se tu tivesses vindo. Se eu tivesse voltado. Se tivéssemos casado. Se tivéssemos tido filhos... Uma miríade de "ses" para os quais não há certezas.

Preciso de ti. Mas preciso de mais. No entanto, sei que nunca ninguém me amou tanto como tu me amaste e nunca ninguém irá amar-me assim. E serei eu capaz de voltar a amar da mesma forma? Não sei. Mas tenho dúvidas.

Com o passar do tempo, vem-me esta sensação biológica de urgência e a noção de que me arrisco a convencer-me de que amo sem contudo amar.

A vida começa a parecer-me um jogo de faz-de-conta - e eu não gosto de jogar!

Restam-me as minhas neuroses, as minhas angústias, a minha criatividade - e pouco mais.

Faltas-me tu e falta-me também aquilo que não soubeste dar-me.

Acima de tudo, creio que me falta a coragem de assumir que me faltará sempre algo e que tenho de optar entre uma falta e outra!

(c) Dulce Dias - 2004-06-23

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